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Rotina cheia de atividades pode provocar estresse infantil

1 jan 2013
07h50
atualizado às 07h50
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O estresse tem origem em situações em que o amadurecimento da criança não foi suficiente para que ela compreenda ou aceite certas situações
O estresse tem origem em situações em que o amadurecimento da criança não foi suficiente para que ela compreenda ou aceite certas situações
Foto: Shutterstock

 

Vida de criança nem sempre é fácil. A falta de amadurecimento dificulta o processamento de informações desconhecidas. A inexperiência pode resultar em situações conflitantes, que podem causar estresse. Casos desse tipo estão se tornando mais comuns, e as crianças estão mais agitadas, de acordo com a coordenadora do Ambulatório Geral do Centro de Referência da Infância e da Adolescência (Cria) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Vera Blondina Zimmermann.
 
Segundo a especialista, o estresse infantil ocorre quando há um desequilíbrio na psique dos pequenos. Pare ela, isso está mais frequente porque a rotina familiar ficou mais corrida, e as crianças acabam ficando mais livres, passando muitas horas em frente ao computador ou à televisão. Tal situação propicia o contato com assuntos desconhecidos, que podem causar choque, como imagens insinuantes ou explícitas de violência ou sexo. Outro exemplo disso é a imposição de uma rotina intensa, pois o excesso de compromissos pode ser opressor, além de limitar os momentos de descanso e brincadeiras.
 
As evidências de que os pequenos estão estressados são variáveis, mas estão calcadas em mudanças comportamentais. De acordo com a psicóloga, a criança começa a agir de forma diferenciada, o que pode ser falar menos ou mais do que normalmente, ficar mais sensível ou agressivo, estar mais quieto ou mais agitado. Além disso, situações como pesadelos frequentes, dificuldade para dormir ou sonolência excessiva, aumento ou ausência da fome e desânimo para brincar podem ser indícios.
 
Estresse prejudica o amadurecimento da criança
Segundo Vera, o estresse infantil tem características diferentes do adulto, pois é pontual e transitório, apresentando-se apenas em momentos de crises. Em geral, surge por volta dos seis anos, quando se tem uma maior percepção do que é exigido e imposto pelos demais. Para ela, é difícil definir se uma criança estressada pode se tornar um adulto sob pressão. No entanto, uma coisa é certa: o amadurecimento e o desenvolvimento das capacidades de reflexão e criatividade ficam comprometidos.
 
Em situações como essa, é importante que os pais conversem e deem mais atenção aos filhos. A especialista recomenda incentivar que os pequenos façam coisas de que eles gostem e que sejam típicas de criança. É equivocado exigir que eles exerçam diversas tarefas semanalmente e tenham muitas responsabilidades, assim como é errado incentivá-los a realizar atividades adultas, como ir ao salão de beleza.
 
De acordo com a psicóloga, inserir demais a criança em um mundo adulto pode impedir que ela se desenvolva integralmente. É necessário permitir que os pequenos sonhem e formulem desejos, pois isso faz parte da construção da maturidade. Nesse parâmetro, as brincadeiras são essenciais. Segundo ela, o ato de brincar é fundamental para que meninos e meninas desenvolvam e aprimorem habilidades.
 
Caso a aproximação dos pais não seja suficiente, a especialista indica que a criança seja encaminhada a um pediatra ou psicólogo de confiança. Conversar com os professores também ajuda a compreender o que está ocorrendo. O mais importante continua sendo o olhar atento dos familiares.
 
Fonte: Cartola - Agência de Conteúdo Fonte: Terra

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