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Resistência da família atrapalha o tratamento de estrábicos

19 mar 2013
07h07
atualizado às 07h07
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É como se os olhos estrábicos estivessem brigados: um para cada lado, ou um para cima e outro para baixo. Os dois se recusam a focalizar o mesmo objeto. Essa briga pela dominância do olhar pode levar à perda quase total da visão de um dos olhos - o “preguiçoso”, explica a oftalmologista especializada em estrabismo Maria de Lourdes Tom Back, referindo-se ao olho menos trabalhado, pode ser irreversivelmente afetado.

Desempenho na escola pode piorar com o uso de óculos, devido a bullying
Desempenho na escola pode piorar com o uso de óculos, devido a bullying
Foto: Shutterstock

“O estrábico força mais um olho que outro, e, sem o tratamento adequado, pode ter perda quase total da visão em um dos olhos”, explica a médica. De tratamento variável - existe mais de um tipo de estrabismo (hereditário, congênito e adquirido) e cada um deles exige um cuidado diferente -, é mais comum a doença se manifestar nas crianças de dois a três anos. Porém, pode aparecer já em bebês e também na idade adulta, como sequela de paralisia ou diabetes.

Maria de Lourdes afirma que, quanto mais cedo o estrabismo for detectado, mais fácil será tratá-lo. “A criança deve ser examinada ao nascer e, caso não manifeste nada no meio tempo, aos três anos, deve fazer exame oftalmológico geral, que pode apontar a doença”, defende a especialista. Caso seja mesmo constatada, o tratamento pode envolver o uso de óculos ou de tampão no olho dominante - para desenvolver a visão do “preguiçoso”. Em casos mais extremos, quando o músculo for muito forte e não ceder às outras tentativas de melhora, a alternativa é a cirurgia. Ainda que raro, também existem situações em que os olhos se alinham naturalmente com o passar do tempo.

Há casos em que as crianças podem ter certa resistência ao tratamento, em especial ao uso do tampão. O mais preocupante, revela Maria de Lourdes, é quando as próprias famílias não aceitam bem as alternativas de tratamento. “Mas são a minoria”, garante ela, destacando a importância de o tratamento envolver o paciente e, também, os familiares. “Quando eles entendem que é um tratamento que vai durar apenas dois ou três anos e trazer um benefício para o resto da vida do estrábico, eles aceitam”, conta, referindo-se ao tratamento com o uso do tampão.

A pedagoga especializada em educação infantil e integrante da Assessoria Educacional Terceiro Passo Julia Milani revela que, como qualquer discrepância física, o estrabismo também é motivo de bullying nas escolas. “A maneira como isso vai afetar a criança vai depender muito da sua estrutura emocional; em alguns casos, o bullying pode servir como combustível para o aluno se tornar mais forte”, conta. Porém, a pedagoga aponta que as agressões morais podem influenciar negativamente o processo de aprendizado. “As crianças querem pertencer a algum grupo, e ficar de fora gera tristeza, acarretando, possivelmente, em uma queda no desempenho escolar”, diz.

Para evitar essas situações, explica Julia, as instituições de ensino e as famílias devem trabalhar as diferenças e apoiar a diversidade em todos os casos, afinal,ninguém nasce com preconceito. Quando acontecer algum caso de bullying, a punição ao agressor não é aconselhável, a não ser em casos mais graves, que envolvam agressão física. “O ideal é o diálogo”, finaliza a especialista.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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