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Mãe superprotetora, amigona ou liberal: descubra o seu tipo

27 dez 2012
06h53
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A necessidade de conciliar trabalho e cuidados dos filhos faz com que as mães se sintam culpadas
A necessidade de conciliar trabalho e cuidados dos filhos faz com que as mães se sintam culpadas
Foto: Shutterstock

 

Aquela imagem de mãe típica dos anos 1950 já não existe mais. Multifacetadas e cheias de atividades, as mães têm caras e jeitos diferentes de lidar com o malabarismo diário que envolve cuidados com a família, a carreira, o próprio corpo, as amigas e outros tantos compromissos impressos pelo cotidiano dos anos 2000.
 
A psicóloga e professora do programa de pós-graduação da PUC de Minas Gerais Ana Carolina Morici explica que as atividades diárias provocam alguns efeitos nas mães - que geram outros em seus filhos. "As mulheres de hoje trabalham fora e estão em uma transição de identidade. Um tempo atrás sua identidade era mais voltada à realização enquanto dona de casa e mãe. Hoje, elas pensam mais na profissão, mas ainda querem também se realizar como mães. Isso faz delas muito exigentes consigo mesmas", explica.
 
Segundo Ana Carolina essas mães "da pós-modernidade", como ela chama, se sentem muito culpadas por não despender todo o tempo dos seus dias com os filhos e, quando o fazem, podem exagerar em alguns aspecos. De acordo com a psicóloga, algumas dessas mulheres que hoje são mães tiveram a infância e a adolescência em momentos de muita repressão e seriedade e, por isso, são mais liberais com seus pequenos. Outras tiveram mães já feministas, da era pós-hippie, e buscam ser exatamente o oposto: pessoas extremamente presentes na vida dos filhos, a ponto de deixá-los superdependentes.
 
É possível identificar alguns desses perfis mais claramente, como demonstrado a seguir. Vale lembrar que essas identidades coexistem dentro das próprias mulheres e é preciso estar atenta ao próprio comportamento e à reação que os filhos têm a partir dele para entender quando está sendo prejudicial.
 
A superprotetora
A culpa faz com que ela se torne uma mãe que age para o filho não ter frustrações. Já que ela está sempre fora, quando está com o filho acaba evitando conflitos, mimando a criança. Essa é, segundo Ana Carolina, uma característica forte da contemporaneidade: jovens muito mimados, que não conseguem lidar com adversidades e se tornam muito dependentes.
 
A amigona
"Tem a questão que, na pós-modernidade, é tudo muito igualitário, não há aquela hierarquia e autoridades muito bem delimitadas. Hoje a educação é negociada", diz a psicóloga. Segundo a especialista, é uma consequência do movimento hippie, uma reação aos pais severos. Esses filhos da repressão tentam fazer diferente e não mostram com clareza a autoridade que precisam representar frente aos filhos. Os jovens, segundo Ana Carolina, acabam por crescer sem entender muito bem como uma organização mais verticalizada funciona e se desenvolvem sem regras e normas delimitadas.
 
A sempre presente
Em uma faixa etária mais baixa que as anteriores, algumas mães foram criadas por mães já feministas e liberais e essas, muitas vezes, tentam fazer o extremo oposto: largam toda a vida profissional para cuidar dos pequenos. Para a psicóloga, essas mulheres sentem menos culpa, pois dedicam a vida inteira aos filhos e acompanham mais de perto sua educação e seu desenvolvimento.
 
Ana Carolina conta que a culpa que as mulheres no geral sentem por não passarem mais tempo com seus filhos é, de certa maneira, injustificada. "Há estudos que apontam que os filhos sentem mais prazer quando a mãe tem um status profissional elevado que quando o pai tem. Os filhos gostam. As mães pós-modernas acham exageradamente que precisam estar presentes. É claro que a mãe faz falta, mas não no grau que ela imagina. Não há uma queixa generalizada das crianças em relação a isso, elas se adequam", diz. 
Fonte: Cartola - Agência de Conteúdo Fonte: Terra

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