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Efeitos nocivos do cigarro prejudicam a formação da placenta

19 mar 2013
07h14
atualizado às 07h14
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Que bebidas alcoólicas e cigarro fazem mal, todos sabem. Até por isso, o Ministério da Saúde regulamentou que as propagandas de bebidas recomendem o consumo moderado, e as embalagens de cigarro exibam imagens que advertem sobre os problemas que podem ser causados pelo uso daquele produto. Muitos fumantes garantem que um dia irão parar, e para quem bebe com moderação, os problemas passam após a ressaca. Para as gestantes, no entanto, as consequências destes hábitos nada saudáveis adquirem maiores proporções.

Cuidado com a saúde deve ser redobrado durante os meses de gestação
Cuidado com a saúde deve ser redobrado durante os meses de gestação
Foto: Getty Images

Ao engravidar, não se é mais responsável apenas pela própria saúde, mas também pela vida que está sendo gerada. Enquanto os problemas para os adultos só costumam aparecer a longo prazo, depois do uso prolongado de uma destas drogas lícitas, o corpo do bebê ainda está em formação, e os hábitos da mãe refletem diretamente na sua saúde. E as consequências se perpetuam por toda infância e até a fase adulta.

Segundo o presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Antônio Fernandes Lages, o álcool tem efeito tóxico para o fígado da mãe e pode atravessar a placenta facilmente. Como o fígado do feto ainda está em formação, e não tem a mesma capacidade de metabolizar as substâncias, o álcool permanece por mais tempo em seu organismo. Além disso, o principal perigo da ingestão de álcool durante a gestação é a Síndrome do Alcoolismo Fetal (SAF).

A Organização Mundial da Saúde estima que, a cada ano, 12 mil bebês nascem com SAF. A síndrome é caracterizada por retardo no crescimento intra-uterino e no desenvolvimento neuropsicomotor e intelectual e pode acarretar distúrbios de comportamento. Além disso, está ligada à microcefalia, malformações da face, pés tortos, malformações cardíacas e maior sensibilidade a infecções. Embora a exposição do feto não acarrete necessariamente a SAF, não existem níveis considerados seguros para o consumo de álcool durante a gravidez.

No caso do fumo, Lages considera que os efeitos podem ser ainda mais nocivos. Isso porque a nicotina e outras substâncias presentes no cigarro são tóxicas para a placenta. “O fumo dificulta a circulação placentária, comprometendo o desenvolvimento da criança, o que aumenta bastante o risco de que ocorra um parto prematuro, ou que o bebê nasça com baixo peso”, explica.

Para o ginecologista, quanto antes a mãe parar de fumar e beber, melhor. Mas se você descobriu agora que está grávida e não sabe se colocou seu bebê em risco, não precisa se desesperar. Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, concluiu que mulheres que param de fumar antes da 15ª semana de gestação têm os mesmos riscos de ter um parto prematuro ou um bebê de baixo peso que as mulheres não fumantes. Porém, o cigarro não está liberado até esta etapa: muitos efeitos nocivos ocorrem ainda durante a formação da placenta.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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