Vida de Mãe

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11 de janeiro de 2013 • 08h05

Bem administrado, videogame traz benefícios à criança

Em geral, o vício em games está relacionado com problemas psicológicos
Foto: Shutterstock
 

 

Foi-se o tempo em que os videogames eram novidade. Hoje, as crianças praticamente já nascem manuseando teclados e controlando personagens virtuais. O que nem sempre fica claro para os pais é como esses eletrônicos influenciam a vida dos pequenos. Segundo especialistas, os jogos digitais podem trazer benefícios para o desenvolvimento infantil. É necessário, no entanto, que os responsáveis criem uma rotina e ofereçam outros tipos de atividades.

"O videogame pode ser benéfico para a criança, desde que integre uma rotina composta por outras atividades", é o que afirma a psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP, Luciana Ruffo. Segundo a pesquisadora, é importante que os pequenos enxerguem os jogos virtuais como mais uma opção de entretenimento, não se restringindo a eles. Se feito dessa forma, os eletrônicos podem trazer benefícios para o desenvolvimento físico e psíquico dos jovens jogadores. Como a variedade de oferta é grande, não há exatamente uma determinação de idade mínima para o início do uso de jogos digitais. Nesses casos, o mais importante é a supervisão dos pais, pois há opções específicas até mesmo para os bebês. Um parâmetro que precisa ser observado é a classificação indicativa do público realizada pelo Ministério da Justiça. Assim como nos filmes, os games também são comercializados com essa sinalização. 

Para a especialista, diversas opções de jogos ajudam os pequenos a desenvolver e aprimorar o raciocínio lógico, a coordenação motora, o pensamento ágil e a memória. Os games exigem que os jogadores pensem e ajam rapidamente, compreendam situações complexas e criem estratégias. Além disso, as crianças ainda têm a oportunidade de entrar em contato com palavras estrangeiras, em especial em inglês.

Outro benefício nem sempre óbvio dos videogames é a possibilidade de socialização. De acordo com Luciana, muitos dos jogos populares podem ser praticados em redes online, o que pode permitir a interação com amigos que estão distantes. Trata-se, sobretudo, de uma excelente oportunidade de os pais se aproximarem dos filhos. Isso é positivo porque é feito de forma lúdica e natural, o que ajuda a quebrar as barreiras que a diferença de idade e autoridade podem criar. Momentos como esses ajudam a ampliar a intimidade com a criança, fortalecendo os laços entre pais e filhos.

Pesquisadora do uso de games na educação e professora do curso de Terapia Ocupacional da Universidade de Fortaleza (Unifor), Marilene Munguba considera que há diversos jogos interessantes. Para ela, o RPG é uma opção interessante, pois é um tipo de game em que os usuários precisam tomar decisões, prever consequências e improvisar. Afinal, são as escolhas dos jogadores que determinam o desenrolar da história. Além disso, a especialista também recomenda que, na hora da escolha dos jogos, seja observada também a temática, pois há opções com foco em assuntos interessantes, como meio ambiente e economia.

 

Uso de games não deve ultrapassar três horas por dia

Para que o videogame não prejudique o desenvolvimento da criança é importante que os responsáveis criem uma rotina de uso do aparelho. De acordo com a psicóloga, o indicado é o que se crie um organização de horários para o uso dos games, em que a prática não ultrapasse três horas diárias. O ideal é que não ocorra perto da hora de dormir, pois às vezes esses jogos podem causar tensão ou agitação na criança, o que prejudica o sono. No entanto, com bom senso, se pode abrir uma ou outra brecha de vez em quando.

Para as crianças, o jogo virtual é visto, em geral, como mais uma opção de entretenimento. Se os responsáveis oferecerem outras possibilidades, como ir ao parque ou praticar exercícios, elas vão se interessar. No entanto, o que ocorre em muitos casos é que as únicas alternativas dos pequenos são assistir à televisão, usar o computador ou jogar games. Segundo a especialista, tratam-se de distrações com características muito parecidas. É necessário realizar práticas diferenciadas entre si, que exijam a utilização de outras habilidades e que, preferencialmente, sejam realizadas fora da residência e com convívio social.

De acordo com a psicóloga, o vício em games só ocorre se há alguma defasagem no ambiente em que a criança está inserida, isto é, ele reflete algum problema psicológico que já está ocorrendo. Portanto, os possíveis malefícios acarretados pelos jogos digitais dependem de outros fatores. Há sinais que indicam quando algo está errado, como recusa para sair de casa ou realizar outras atividades, diminuição na qualidade do sono, falta de sociabilidade e, até mesmo, lesões por esforço repetitivo. Nesses casos, os responsáveis precisam conversar com os filhos e tentar entender o que está ocorrendo. Caso isso não seja suficiente, o mais indicado é procurar a assistência de um psicólogo infantil.

 

Cartola - Agência de Conteúdo Terra