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Mulheres têm vida dupla na profissão

A publicitária Paula Balestrim cria cães da raça bernese mountain dog. Foto: Divulgação

A publicitária Paula Balestrim cria cães da raça bernese mountain dog
Foto: Divulgação

Rosana Ferreira


O que uma publicitária tem a ver com uma criadora de cães? O que pode ter em comum uma headhunter e uma cantora? Teoricamente, nada; mas, na prática, podem ser a mesma pessoa. É que muitas mulheres com uma carreira consolidada em uma empresa acabam fazendo de seu passatempo nas horas vagas uma segunda profissão.

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O hobby da nutricionista Ana Maria de Souza Pinto, 44 anos, formada há 23 anos e professora de nutrição em duas universidades paulistas, é o gosto pelos vinhos. Depois de ter começado há três anos a fazer vários cursos sobre o tema, resolveu profissionalizar seu passatempo. "Conheci um francês, proprietário de uma importadora e loja de vinhos, a quem sugeri a idéia de formar grupos em condomínios para eu ministrar palestras sobre vinhos", conta.

Hoje, ela continua com as 40 horas/aulas semanais e, nos fins de semana, fala sobre o um assunto de que mais gosta e ainda ganha um dinheiro extra. "Como faço as palestras nas sextas e nos sábados, isso não atrapalha minha atividade principal", diz ela, que pretende ter seu próprio bistrô quando se aposentar. "É uma complementação da profissão, pois continuo trabalhando com alimentos, já que existe a harmonização da bebida com os pratos", explica.

Cães e publicidade
Já a publicitária Paula Balestrim, 28 anos, tem uma atividade paralela totalmente diferente de seu emprego oficial - ela é diretora de atendimento de uma agência digital de publicidade e cria cães da raça bernese mountain dog. Patrícia conta que tudo começou na montanha BlackComb, no Canadá, onde conheceu, há oito anos, o primeiro cão dessa raça. "Foi amor à primeira vista", relembra.

Já no Brasil, seu marido a presenteou com seu primeiro bernese, a cadela Neve, que morreu no ano passado. Foi então que resolveram iniciar a própria criação. Como essa raça é de origem suíça e pouco conhecida no Brasil, Paula resolveu investir em pesquisas. Parou de trabalhar e viajou por cerca de cinco meses para a Europa a fim de visitar criadores e participar de exposições. Depois se dedicou à construção do site (www.bernese.com.br), que hoje é uma referência no Brasil quando se fala de bernese.

"Usei meus conhecimentos profissionais para formatar o site", diz ela, que conseguiu se recolocar no mercado com facilidade. Hoje, ela alia sua jornada de 10 horas diárias na agência, onde gerencia 11 pessoas, com o canil que abriu no interior de São Paulo - também há oito anos. Ela conta com dois funcionários mais a ajuda da mãe, além de sua dedicação todas as noites (vai dormir por volta das 2h) e fins de semana.

A consultora de carreiras, Adriana Néglia, da Career Center, diz que, de forma geral, quando existe uma coerência entre a atividade principal com a paralela, fica mais fácil se recolocar no mercado, como é o caso da nutricionista. Mas se a pessoa tiver uma ótima rede de relacionamento, como a publicitária, pode voltar ao mercado facilmente. De qualquer forma, Adriana adverte: "Lembre que o mercado é bastante rígido com quem fica fora dele por períodos de um a dois anos, já que existe muita concorrência".

Conciliar horários
A maior dúvida quando se pensa em aliar duas atividades profissionais distintas é o horário, já que muitas atividades exigem que o profissional se dedique exclusivamente. Segundo o gerente Robert Brito, da Robert Half, empresa de recrutamento, é possível conciliar duas atividades quando o emprego oficial se restringe apenas ao horário de expediente e não há necessidade de ficar até mais tarde, por exemplo.

É o caso de Patricia Ohuti, 26 anos, que trabalha há cinco em um banco como analista da área de câmbio, e produz, juntamente com sua sócia, produtos para banho (sabonetes, massageadores e óleos), lembranças de casamento e arranjos florais aromatizados e personalizados. Durante a manhã, antes de sair para o trabalho, ela checa os e-mails com pedidos e entra em contato com fornecedores e clientes. Quando volta para a casa, onde tem um pequeno ateliê, confecciona os produtos encomendados.

O hobby, que começou com um curso de sabonetes que fez há um ano e se transformou em um negócio, corresponde a 50% de sua renda mensal em meses normais. Em ocasiões especiais, como Natal e Dia das Mães, a renda dos sabonetes chega a 100% de seu salário. Patricia divide os lucros com a sócia e afirma que ainda não cobrem o salário e benefícios do banco, por isso exerce as duas atividades.

Segundo a consultora Adriana Néglia, a bancária está correta em sua postura. "Já presenciei casos de pessoas que largaram um ótimo cargo numa grande empresa para se dedicar ao hobby profissionalmente e deram certo, e outras que tiveram de voltar ao mercado. Por isso, é bom avaliar antes se o rendimento da nova atividade é compatível com o seu padrão, fazer pesquisas de mercado e até se associar a alguém com mais experiência na área", sugere.

Na música
Mariana Scheddin, 32 anos, ainda não se arriscou. Psicóloga por formação e headhunter de profissão (profissional que busca executivos para grandes empresas), ela gosta mesmo é de cantar, o que faz desde os 15 anos. Mas seu rendimento com essa atividade paralela não chega a 10% de seu salário. Por enquanto, ela diz que prefere manter a dupla jornada: durante a semana, trabalha full time na empresa, e nos fins de semana se apresenta em eventos fechados com a banda de pop rock da qual é vocalista há três anos.

Vale então a pena ter uma "vida dupla profissional"? Com pouco ou muito ganho financeiro, todas elas garantem que sim. "Afinal, a pessoa que faz o que gosta se sente energizada, um bom combustível para o trabalho", afirma a consultora Adriana Néglia.

Especial para Terra