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Mulher

 
 

Veja prós e contras de deixar a profissão para cuidar da família

Nem só na carreira é possível ser bem-sucedida. Foto: Getty Images

Nem só na carreira é possível ser bem-sucedida
Foto: Getty Images

Quem acompanhou a versão brasileira do seriado Desperate Housewives pôde ver a história de Lígia Salgado, interpretada pela atriz Tereza Seiblitz. Ela, uma ex-executiva de sucesso, largou o mundo dos negócios para ser mãe em tempo integral. Essa mudança extrema nada mais é que uma entre as diversas opções que a mulher tem a sua frente. Veja o que especialistas dizem sobre o assunto e conheça as histórias de mulheres que preferiram abdicar da profissão para cuidar da família e da casa.

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De acordo com a psicóloga Cecília Zylberstajn, é necessário planejamento para que a mudança seja bem-sucedida. "Caso a mulher queira apenas dar um tempo na profissão por alguns anos para cuidar exclusivamente dos filhos, ela precisa planejar o retorno ao mercado de trabalho. Precisa se manter em constante atualização", indica.

Essa foi a maneira encontrada pela jornalista Andressa Umeki, 26 anos. Casada há três anos e mãe da pequena Júlia, de apenas nove meses, ela decidiu parar de trabalhar ainda na gestação, por precaução médica. Segundo ela, essa não foi uma atitude irracional. "Eu e meu marido sempre planejávamos que, quando viesse um bebê, eu ficaria em casa até ele completar dois anos, ou seja, teria de abdicar do emprego por um tempo em função da criança", explica.

"Não me arrependo nem um pouco, pois adoro passar os dias com ela, levá-la à natação, à pediatra, brincar, dar banho, alimentá-la. Como a Júlia é pequena ainda, não sei se confiaria em alguém para fazer isso agora, sem contar que estou acompanhando todos os progressos dela", relata a jornalista.

Mas Andressa reconhece que às vezes bate um tédio. "Quando ela está limpa, alimentada e brincando, e eu não tenho nada para fazer, aí vejo TV ou corro para o computador. Chega a me dar angústia, mas depois passa", explica. Por isso que os dias em casa têm prazo certo para chegar ao fim. "Vou procurar emprego ou talvez abra um negócio quando ela tiver dois anos", conta.

Quando não há escolha
Nem sempre se tem a opção de deixar a profissão de lado. A maioria das famílias é estruturada com a renda conjunta da mulher e do marido. Foi por esse motivo que Emilene Pinho, 30 anos, trabalhou até seu filho completar três anos. "Saí para licença-maternidade com tudo acertado para não voltar. Mas tive que rever minha idéia por causa de algumas dificuldades", diz ela que foi assistente-administrativa em uma mesma empresa por mais de 10 anos.

Assim que a situação voltou ao planejado, Emilene abandonou o emprego. "Sei que muitas mulheres têm jornada dupla, mas comigo simplesmente não rolou. Não conseguia conciliar o trabalho, a maternidade, a casa e o marido, e isso gerou vários atritos. Estava sempre cansada, estressada e sem paciência", explica.

Escrava do lar ou dona de casa realizada?
O que pode parecer uma posição de inferioridade, para muitas mulheres é sinônimo de realização pessoal. Portanto, a questão não está na escolha de deixar ou não a profissão e, sim, em quem toma essa decisão. "É preciso saber quem comandou a mudança. Se foi um desejo interno da própria mulher ou se ela foi seduzida por uma imposição do marido", esclarece a psicóloga e psicanalista Walkiria Grant.

Por isso, segundo Walkiria, são grandes as chances dos sentimentos de angustia e fracasso atingirem uma mulher que cedeu ao desejo do marido, enquanto o que ela gostaria era de permanecer no mercado de trabalho, cuidando da casa e dos filhos ao mesmo tempo.

"O importante é que essa mulher saiba em que situação se sentirá melhor", diz a profissional. É a partir deste ponto que se pode fazer uma diferenciação essencial. "Em uma mesma sociedade, duas mulheres que enfrentam situações semelhantes podem estar em situações antagônicas. Uma será a "escrava da casa", coitada; enquanto a outra se sente muito bem nessa posição, com tempo para ir à academia, se cuidar", explica Walkiria.

Executiva do lar
Desde o nascimento de sua filha Larissa, que hoje está com 11 anos, Tereza Soares não sabe mais o que é bater o ponto em um local de trabalho. Logo após o casamento, ela deixou o trabalho para se realizar como "executiva do lar", como ela mesma gosta de ser chamada.

"É muita responsabilidade cuidar da casa e de todos que moram nela. Tenho mais desafios agora que quando trabalhava como secretária", diz Tereza, que detesta quando as pessoas a questionam sobre se ela não vai voltar ao trabalho fora de casa. "Eu jamais deixei de trabalhar, a diferença é que uso o meu esforço a favor da minha família e não mais do enriquecimento de uma determinada empresa ou patrão", explica bem-humorada.

Jogo de cintura
Como já foi dito, mesmo que você queira, nem sempre é possível abrir mão do emprego. Por isso, destacamos algumas alternativas que irão ajudá-la nessa dupla jornada; confira.

- Algumas empresas oferecem creches para os filhos dos funcionários. Caso no seu trabalho não exista essa estrutura, se informe sobre o auxílio creche;
- Tente fazer horários alternativos. Dessa forma, você e seu marido podem se revezar nos cuidados da criança e em atividades como levar ao médico, aulas de natação, buscar na creche, etc;
- Se possível, proponha trabalhar em casa, pelo menos em ocasiões especiais;
- Nada melhor do que deixar seu filho aos cuidados de alguém confiável. Se você não tiver uma amiga ou familiar para ajudá-la, contrate uma babá com referências. Essa tarefa não é tão difícil quanto parece, há boas profissionais no mercado.

Serviço:
Cecília Zylberstajn - psicóloga, especialista em psicodrama
www.ceciliaz.com.br

Walkiria Grant - psicóloga e psicanalista, professora doutora aposentada da Universidade de São Paulo
wal@usp.br

Redação Terra