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 Papelão vira móvel e ajuda a preservar a natureza
08 de setembro de 2009 09h11

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Cadeiras, mesa e até prateleira de papelão podem compor sua sala de estar. Foto: Divulgação

Cadeiras, mesa e até prateleira de papelão podem compor sua sala de estar
Foto: Divulgação

Rosana Ferreira

Que papelão! A frase usada para identificar um fiasco ganhou outra conotação bem mais nobre nos últimos anos. Agora o material não é apenas importante para embalar móveis e objetos durante a mudança de casa. Ele próprio se transformou nas peças que protegia durante o transporte, já que designers brasileiros e internacionais têm se dedicado a colocar o papelão em destaque, como na sala. E essa ideia ainda ajuda a preservar o meio ambiente.

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É o caso do designer paulistano Nido Campolongo, que desde o final dos anos 1970 já olhava com outros olhos os papéis reciclados. "Além da questão estética do papelão, que se assemelha à madeira, existe o aspecto sustentável. Trocar a madeira pelo papelão é ter menos impacto ambiental, principalmente se for reciclado, como o tipo que eu uso", disse o designer. A conta é simples: para se ter uma tonelada de papelão é preciso 20 árvores; se usar papelão reciclado, economizam-se essas 20 árvores.

A paixão do designer nasceu na tipografia do pai, onde cresceu respirando o cheiro de papel. Suas primeiras peças foram sacolas com as marcas dos clientes. Depois, em 1994, criou os tecidos de papel, usados na decoração de interiores (cortinas, xales e almofadas). Paralelamente foi desenvolvendo esculturas de papelão que culminaram em mobiliário. Hoje seu arsenal de trabalho inclui outros materiais recicláveis, como pneu, PET e banner residual.

O coletivo SuperLimão Studio, dos sócios Antonio Carlos Figueira de Mello, Lula Gouveia, Sérgio Cabral e Thiago Rodrigues, segue a mesma linha. O estúdio produz peças de mobiliário e utilitários com papelão prensado, bobinas de papel e plásticos diversos (PS, ABS, PE), além de materiais de uso cotidiano, como copos plásticos. Uma peça emblemática da marca é a cadeira Laranja (R$ 3.500), que busca trabalhar o mínimo de materiais (papelão e PVC expandido), composta apenas por duas curvas.

Hoje a empresa também desenvolve projetos variados de arquitetura, como residências (a do Humberto Campana, dos Irmãos Campana) e projetos comerciais (o recém-inaugurado Restaurante Dui, da chef Bel Coelho).

Outra empresa especializada em móveis de papelão é a 100t, que surgiu há três anos quando Daniela Bueno e Marcello Cersosimo, em uma viagem à Europa, conheceram o uso do papelão em forma de móveis. "Queríamos introduzir esse costume aqui no Brasil", disse Marcello.

A maior preocupação da 100t é preservar o meio ambiente, pois utiliza somente papelão de madeira de reflorestamento e, quando o produto não for mais usado, pode ser reciclado. "Além disso, a nossa ideia é sempre criar peças que sejam fáceis de montar, sem a necessidade de ferramentas. Elas devem ser leves para facilitar o transporte, e o mais importante de tudo é que sejam usáveis, ou seja, estáveis como qualquer outro tipo de móvel", afirmou Marcello.

Por essa razão, o papelão usado nas peças criadas pela dupla tem gramatura especial para confecção de móveis. "São muito resistentes: aguentam por volta de 120 kg e podem ser usados como se fossem de madeira", afirma. Os preços vão de R$ 18 (banco adulto) a R$ 130 (mesa adulto). Há também peças infantis, como banco (R$ 9) e mesa (R$ 45).

Lúdicos
O Ousado Banco Baixo, assinado por Sabrina Arini e vendido na Tok & Stok, é feito de papel kraft ondulado com aplicação de estampa em silk screen. O sucesso foi tanto que a peça foi escolhida para ser exposta no projeto Destination Brazil, realizado pelo MoMA (Museu de Arte Moderna, de Nova York), sendo um dos mais vendidos pelo museu. Na Tok & Stok custa R$ 58. A designer também criou o banco Zoo Infantil de papel kraft ondulado com aplicação de estampa em silk screen, que acompanha seis gizes de cera atóxicos para colorir.

Já imaginou caixinhas de iPod de papelão? Pois na loja Olá, de São Paulo, há opções com estampas diversas (carimbadas ou adesivadas). Os mimos têm potência de 2 W em cada alto falante e não precisa ligar na tomada. Usa-se somente a energia do próprio iPod, basta carregá-las para levar à praia, à piscina, ao parque e dividir a música com outras pessoas, ao invés de ouvir somente com o fone de ouvido. "Ideal para quem não faz questão de um volume muito alto, já que elas não têm amplificadores", disse Cynthia Gyuru. Custam R$ 66 (mais o Sedex).

A loja Micasa, em São Paulo, que já teve em seu acervo a famosa cadeira Wiggle, do arquiteto canadense Frank Gehry, conhecido por usar materiais pouco usuais e um dos precursores na confecção de móveis de papelão, hoje disponibiliza o Paper Cupboard, do Studio Job para a holandesa Moooi. Trata-se de um guarda-roupa inusitado, com medidas 1,55 m (largura) x 0,68 m (profundidade) x 2,40 m (altura), por R$ 27.186. Com a mesma assinatura é o Paper Floor Lamp, uma luminária de chão com 0,70 m (largura) x 0,70 m (profundidade) x 1,95 m (altura), por R$ 20,4 mil.

Cuidados
Para que os móveis de papelão durem bastante, o designer Nido Campolongo diz que depende da manutenção e cuidados. "Vendo peças para o consumidor final e para cenários. Em casa, elas podem ter uma vida útil parecida com a dos móveis de madeira; já nos cenários e lugares públicos, vejo que duram bem menos", disse.

Para limpar o papelão, ele recomenda tirar o pó com um pano levemente úmido e evitar água e ambientes úmidos. Também é possível passar uma cera de abelhas (não é obrigatório) para conservar. "O uso de verniz de madeira pode ajudar na manutenção, mas muda o aspecto do papelão."

Especial para Terra