"As empresas não avaliam o funcionário pelo passado, mas pelo que está fazendo agora e pelo que poderá fazer", diz Gutemberg Macedo, presidente da Gutemberg Consultores. A frase explica dois episódios recentes que renderam discussões na seara esportiva: a transferência do jogador Kaká, do Milan para o Real Madri, e a demissão do técnico do São Paulo, Muricy Ramalho.
A mudança de Kaká foi anunciada no começo de junho, apesar de o ídolo, no time e no país, ter manifestado o desejo de permanecer na equipe italiana. Seu passe acabou negociado por cerca de R$ 178 milhões.
O técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, foi demitido a semana passada e, em seu lugar, contratado Ricardo Gomes. A decisão da diretoria tricolor foi reprovada de maneira geral. Apesar de sucessivas derrotas, incluindo a eliminação do time da disputa pela Copa Libertadores da América 2009, Muricy levou o São Paulo a conquista de três Campeonatos Brasileiros, entre 2006 e 2008, um feito inédito na história do time.
Ricardo Gomes, por sua vez, está afastado do futebol brasileiro há cerca de cinco anos e não figura entre os técnicos de carreira mais brilhante do país e no mundo, apesar de ter experiência internacional.
Como dois personagens importantes em suas empresas foram descartados dessa maneira? Os exemplos não ficam restritos ao mundo do futebol, movido a grandes paixões. Segundo o consultor, retratam uma realidade do mercado em todas as áreas.
Confira cinco dicas do especialista para não ser pego de surpresa por uma situação parecida:
1) É possível ser demitido mesmo sendo competente, bem-preparado para o cargo e estar dando resultado. Hoje há outros fatores que pesam nessa equação, como a crise financeira. "Como a crise na China afeta meu emprego? São perguntas que deveriam ser feitas, mas não é fácil ter essa visão."
2) Caso seja demitido, não se sinta injustiçado. "Empresas pensam em curto prazo e geralmente buscam um salvador da pátria, que costuma levar a uma situação pior."
3) Mesmo sendo eficiente, existe a questão política. "Você pode não ser querido por todos os membros da diretoria ou do conselho administrativo." Segundo Gutermberg, fazer política representa 76,7% de seu sucesso profissional. "E não adianta dizer que não é uma pessoa política."
4) Caso perceba que não está dando conta do recado, o melhor é se antecipar e falar que precisa de ajuda. "Nesse caso, o funcionário pode receber como resposta que não há mais tempo e aí o recado está dado: melhor começar a procurar outra colocação."
5) O funcionário é responsável pela sua gestão e autodesenvolvimento e deve se preparar para o mercado, não apenas para a empresa onde trabalha.