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Terça, 23 de junho de 2009, 10h34  Atualizada às 11h52
Mulheres deixam os desafios do dia a dia para encarar o Rally dos Sertões
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A navegadora Doris, que não deixa de lado 'coisinhas' femininas nos dez dias do rally
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Luciana Fracchetta

Lama, poeira, vento, calor intenso. É isso que as cinco mulheres participantes do 17° Rally dos Sertões, que começa nesta terça-feira (23), enfrentarão durante os dez dias de competição em uma das áreas mais inóspitas do Brasil. A largada acontece em Goiânia (GO), passa pelos Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, até chegar em Natal (RN) - um percurso de mais de 5 mil quilômetros.

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O árduo caminho se tornou um desafio para algumas brasileiras que não têm medo de aventura e se jogam de cabeça na prova. Mesmo competindo lado a lado com homens, elas mostram que dão conta do recado.

Helena Deyama, 49 anos, piloto, forma com Joseane Koerich, 38 anos, navegadora, a única dupla feminina do Rally dos Sertões. Helena, que participa pela décima vez da competição, faz um paralelo com os desafios que as mulheres enfrentam no dia a dia e os desafios do Rally dos Sertões.

Segundo ela, a mulher quando participa de alguma competição que é conhecida como masculina, como o automobilismo, é muito cobrada. "Assim, como no cotidiano, ela tem que provar sua capacidade e força em todos os momentos. Nas competições, é a mesma coisa. Eles sempre exigem mais da gente. E nós não queremos cometer erros", conta.

Helena conta que o maior desafio de participar das provas é a superação. "É preciso aliar a resistência física com a psicológica para conseguir ficar dez dias direto dentro de um carro", explica.

Para ela, o rally é uma forma de 'extravasar tudo'. "Sou designer gráfica, meu trabalho mexe muito com o lado intelectual, então quando chega na competição, eu me solto", diz Helena.

Já a paraense Doris Van Hees, 44 anos, designer de jóias, acredita que conquistou seu espaço nesse meio conhecido como masculino. "Aqui, apesar de ser mulher, consegui me impor e tenho meu espaço. Provei a força que tenho e conquistei o respeito de todos os homens. Me sinto em casa. É muito gratificante", conta.

Doris começou a competir ao lado do marido, o holandês Willem Van Hees, 52 anos, como navegadora há cinco anos. "É uma maneira de estarmos juntos. Tem muitos homens que participam e as esposas ficam em casa reclamam. Eu não, estou sempre com ele", explica Doris.

Porém, quando estão competindo, o casal assume outros papéis. "Quando estamos no rally, não sou a esposa, sou a navegadora. Recebo ordens dele e tenho que acatá-las", explica, sorrindo.

Preparação
As competidoras explicam que para conseguirem aguentar os dez dias no Rally dos Sertões é preciso estar muito bem preparada fisicamente. Para conseguir resistência, Helena explica que procurar treinar durante o ano inteiro, e não só antes do período da competição. "Toda semana faço academia, natação, aeróbica, corrida e ando de bicicleta", conta.

Doris também segue o mesmo caminho. "Faço ginástica, aulas de dança e aeróbica. Preciso ter um bom físico porque a prova exige que eu troque pneus e faça outros trabalhos braçais", conta a navegadora , que afirma também não abrir de algumas 'coisinhas' femininas mesmo na hora de competir. "Não saio sem protetor labial e sem meu echarpe para proteger a cabeça. Já se tornou minha marca registrada", diz.

Rally dos Sertões
Desbravando o Brasil, o Rally dos Sertões completa neste ano 17 edições. A primeira ocorreu em 1992 partindo da cidade paulista de Campos do Jordão, com destino ao Rio Grande do Norte, na capital Natal. Hoje, a competição é conhecida como a maior da América Latina. O nome, "Rally dos Sertões", surgiu como uma homenagem a obra literária de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas.

Redação Terra