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Domingo, 17 de maio de 2009, 18h35  Atualizada às 19h14
Clima de Carnaval marca encontro do Movimento dos Sem Namorados em SP
Raphael Falavigna/Terra

Solteiros se encontraram para passeata paulista
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Aretha Yarak
Direto de São Paulo


Carência e um certo quê para a curtição. Essa foi a marca da última passeata do Movimento dos Sem Namorados, realizada na tarde deste domingo, na cidade de São Paulo. Às vésperas dos Dias dos Namorados, cerca de duas mil pessoas - entre solteiros e comprometidos - se reuniram no Parque do Ibirapuera com um objetivo único: arrumar um namorado. A proposta até pareceria interessante àqueles sozinhos há muito tempo, não fosse o rumo que tomou a marcha. A reportagem encontrou solteiros e solteiras que contavam na mão os beijos roubados. "Até agora já fiquei com duas", conta o estudante Eduardo Moraes, 17 anos, meia hora antes do término.

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A caminhada pelas ruas do parque paulistano, que começou às 15h20 e teve duração aproximada de duas horas, foi agregando o público que se divertia no Ibirapuera, e mesclou solteiros, casais, adolescentes, idosos e até crianças. "Me enfeitei toda para chamar a atenção, para criar uma motivação a mais", brinca Neusa Piovesan, 69 anos. Ela jura que acompanhou a passeata por pura diversão. "A concorrência com as mocinhas é muito grande, estou aqui só de brincadeira."

Mas a grande maioria estava mais é preocupada em conhecer pessoas e, quem sabe, arrumar um cobertor de orelha para passar o próximo Dia dos Namorados. "Estou sozinho há dois meses, mas não gosto de ficar solteiro", confessa Daniel Kobayashi. Para o estudante, uma namorada ideal tem que ser bonita e "gente boa". A marcha, no entanto, reuniu garotos nem tão preocupados assim com um relacionamento. Como Danilo Camargo, 20 anos, que prefere passar as noites de sexta-feira sozinho e só levanta a hipótese de uma futura namorada quando bate a carência à la "domingo à tarde sozinho em casa". "Mas uma coisa é certa, beleza é fundamental", retruca.

Entre o público presente era fácil achar quem contava na mão as trocas de beijos, celulares, endereços eletrônicos e paqueras. "Eu fiquei com dois caras, mas foi coisa rápida, só para curtir mesmo", comenta Priscilla de Almeira. A estudante de 18 anos estava acompanhada da amiga Caroline Catão, 18, que também beijou dois rapazes. Solteira há três meses, Katelin Stephanie Gonçalves saiu de um piquenique para se juntar à pequena multidão que caminhava ao som de uma bateria pelo Ibirapuera. "Está difícil arrumar namorado hoje em dia, quando não é a mulher que não quer nada sério, é o homem", verbaliza a opinião dividida por 100% dos 30 entrevistados pelo Terra. Para arrematar sua participação no movimento, a estudante mandou ver na paquera. Sem titubear, anotou em um pedaço de papel o endereço de seu MSN e o entregou a "um fotógrafo muito gato" que encontrou pelo caminho.

A animação, no entanto, pôde ser vista nos xavecos inusitados, cartazes e gritos de "beija, beija, beija". "Me joga no Google e diz que não sou eu quem você estava procurando", sugere Larissa Rosa para uma paquera criativa. A artista visual de 24 anos está sozinha há cinco anos e garante que está na "pista para negócios". Mas não se ilude. "O mundo tá muito promíscuo, é difícil arrumar um namorado sério."

Motivados por um clima festivo, quase como um Carnaval fora de época, o público surpreendeu o site de relacionamentos responsável pelo evento. De acordo com a assessoria da Meetic, organização presente em 18 países que está à frente do movimento, o público presente na tarde deste domingo no Ibirapuera foi muito superior ao esperado. Segundo a Polícia Militar, até o final da passeata nenhuma ocorrência havia sido registrada.

Amor nos tempo da internet
Que a reclamação geral era de que ninguém quer nada sério (tanto homens como mulheres), não há como negar. Mas, indo na contramão das desilusões, os sites de relacionamentos vêm ganhando cada vez mais adeptos. Há solteiros, inclusive, que se arriscam de forma despretensiosa e acabam achando a tampa de sua panela.

É o caso, por exemplo, de Adriana Manzano, 28 anos, e Fernando Tecchio, 20. O casal se conheceu em um site de encontros poucos dias após terminarem relacionamentos sérios - ela um casamento de dois anos, ele um namoro de cinco meses. "Foi bem rápido. Ele foi o primeiro cara com quem conversei. Depois de quase um mês estávamos namorando", comenta Adriana.

Os pombinhos, que foram conferir de perto a marcha dos Sem Namorados no Parque do Ibirapuera, estão junto há três meses e aprovam os encontros via web. "Acho que é um veículo interessante, você consegue saber o perfil da pessoa antes de se envolver", finaliza Adriana.



Redação Terra