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Saiba como lidar com a vaidade excessiva das crianças
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As chapas de alisamento, além de danificar os fios, apresentam riscos de queimaduras durante o uso
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Lívia Souza


Retocar a maquiagem, fazer escova no cabelo, mudar a cor do esmalte toda semana. Essa é a rotina de muitas mulheres. No entanto, o que chama a atenção é que esses rituais de beleza estão ganhando novas adeptas: crianças de 7, 5 e - por que não? - 2 anos. Foi com essa idade que Maria Eduarda começou a andar com sua inseparável nécessaire - a malinha da "matulagem" (maquiagem), como chamava. Hoje, com 5 anos, a pequena coleciona diversos apetrechos de beleza, que ganham em quantidade dos produtos de sua mãe. "Nunca fui muito vaidosa. O interesse da Maria Eduarda surgiu de forma espontânea, mas eu não reprimo", explica a professora Andréia Beltramini.

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Segundo a psicóloga Sueli Castillo, crianças de todas as épocas sempre sonharam em ser adultos antes do tempo. "Meninas calçam os sapatos de salto alto e adoram se pintar com o batom preferido da mãe", exemplifica. Para a profissional, a vaidade infantil em proporções moderadas demonstra um processo de desenvolvimento saudável da criança. Mas quando a preocupação estética não se resume a situações e, sim, a uma constância no comportamento, ela passa a ser preocupante.

A psicóloga diz que as meninas podem ser influenciadas desde cedo tanto pela mídia - que prioriza o culto à beleza - quanto pelas mães vaidosas. "Atualmente observam-se em salões de beleza meninas de dois, três aninhos, pintando as unhas e as mães valorizando esse comportamento", descreve Sueli.

O que parece gracioso para muitos, de acordo com a psicóloga, pode acarretar graves problemas na formação emocional e física dessas garotas. "A situação de estresse constante para a manutenção do corpo idealizado provoca depressão. Também surgem transtornos de ansiedade, somados aos problemas físicos em função de químicas exageradas, tratamentos estéticos abusivos e cirurgias plásticas indevidas", cita Sueli. Ela ainda destaca a ocorrência de déficit de aprendizado escolar, uma vez que a vaidade é o único fator essencial para essas meninas.

Além das manifestações comportamentais, a dermatologista Glícia Rodante ressalta que é muito freqüente crianças desenvolverem dermatite de contato, que nada mais é que uma alergia desencadeada por exposição a produtos químicos, como maquiagens, cremes, esmaltes e perfumes.

Caso a pequena goste de se produzir, a dermatologista indica apenas um batom ou brilho labial. "Não permita o uso do pó compacto, blush, sombra e muito menos lápis e delineador, pois, mais que alergias, eles podem ferir os olhos da criança durante a aplicação", alerta. A médica destaca também os esmaltes que, segundo ela, estão entre os produtos que mais causam reações alérgicas devido à fina camada de pele das mãos das crianças.

O conselho da dermatologista é observar os rótulos em busca de alguma certificação, como a aprovação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e optar por produtos hipoalergênicos, ou seja, destinados às peles sensíveis, de preferência de marcas já estabelecidas no mercado. Para hidratantes e perfumes, a dica é deixar de lado os produtos com alta concentração de corantes (identificados pelas cores intensas, como pink, laranja, roxo) e com presença de álcool - usado para fixar o aroma da fragrância. "Ainda é preciso ficar atento quanto à embalagem para verificar se ela não se quebra e nem desmonta com facilidade, caso contrário, pode ferir a criança", completa Glícia.

Quanto ao cabelo, a dermatologista não indica nenhum tratamento que altere a estrutura capilar. "Substâncias que modificam o cabelo, tanto para alisar quanto para enrolar, danificam os fios que, por serem mais finos e frágeis que dos adultos, estão mais propensos a quebras e quedas", explica.

Sinais de alerta
Cabe aos familiares mais próximos identificar se a criança está distorcendo sua auto-imagem ou se há uma obsessão pela beleza. Nesses casos, o mais indicado é procurar a ajuda profissional para que, dessa forma, a menina aprenda a assumir sua própria identidade.

A psicóloga Sueli Castillo elencou algumas atitudes que podem servir de alerta aos pais para detectar quando a criança está prestes a passar do limite saudável da vaidade. Confira a seguir:

- Quando a menina passa muito tempo diante do espelho;
- Quando ela valoriza mais a aparência que os estudos;
- Quando inicia dietas de emagrecimento justificando estar acima do peso;
- Quando a marca da roupa for mais importante que a própria roupa;
- Quando toda a mesada for destinada para a compra de cosméticos, roupas e acessórios.


Redação Terra