Gianne Albertoni servia de exemplo em todos os exercícios
Foto: Marcelo Pereira/Terra
Thaís Camargo
Nesta sexta-feira comemora-se o Dia do Circo no Brasil. A data é uma homenagem ao palhaço Piolin, paulista natural de Ribeirão Preto, que decidiu alegrar a vida de outras pessoas com seus gracejos. E o dia do seu aniversário - 27 de março de 1897 - foi transformado na celebração das artes circenses. Cento e doze anos depois, decidi conhecer um pouquinho mais sobre as atividades que acontecem dentro do picadeiro.
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Camargo na aula de circo
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Resolvi convidar alguém que já fosse familiarizada com as atividades que exigem um esforço e tanto do corpo. Logo me veio à cabeça a modelo Gianne Albertoni que fez bonito e saiu vencedora do quadro Circo do Faustão em 2007. Depois de uma semana de negociação com ela, eis que consegui trazê-la do Rio para São Paulo. E Gianne é daquelas que aceita qualquer desafio.
Por volta das 16h desta terça-feira, ela me encontrou na Academia Brasileira de Circo, na capital paulista. "Não tive tempo de almoçar e acabei comprando um lanche. Alguém está servido?", disse enquanto devorava uma tortinha de maçã. E foi em clima de cumplicidade que ela se reencontrou com Wander Rabelo, seu instrutor no programa da Rede Globo. "Nossa quanto tempo! Não nos vemos desde o Circo do Faustão", comentou empolgada.
Ainda vestida com um jeans escuro e jaqueta preta de couro, a dupla relembrou do árduo tempo de treinamento. "Eu treinava de segunda a segunda das 10h às 21h. Essa rotina durou quatro meses", falou. "Na minha primeira aula, o Wander me fez ficar uma hora dando cambalhotas", relembrou. "O circo é uma atividade que exige demais do físico por isso precisa de muito treino", explicou Wander.
Embora estivéssemos batendo um papo pra lá de descontraído, não conseguia esquecer a tensão de ter de me submeter a uma aula dessas. Tenho medo de altura e sabia que muitos dos exercícios são realizados a alguns metros acima do solo. Nervosismo à parte, lá fui eu e Gianne para dentro da tenda do circo. Eu seguia rigorosamente todas as instruções do Wander e de Jeniffer Baeta, que foi a instrutora do ator Caio Castro na competição do Faustão.
Meu primeiro desafio foi vencer a diferença de nada menos que 30cm para conversar com ela. Gianne do alto de seu 1,80m tinha de se curvar para me ouvir. Durante o alongamento ela ainda brincou. "Olha o tamanho do pezinho dela", meio sem jeito sorri e comentei que calço 34. "Nossa, o meu é 43", falou para descontrair.
Com os músculos alongados, partimos para nosso circuito que se iniciou com o tecido. Olhei para ele de ponta a ponta. O pano roxo se arrastava no chão e ficava preso a uma altura de aproximadamente 3m. A modelo lá foi escalar. Em alguns poucos e rápidos movimentos estava ela numa pose digna de qualquer editorial de moda. Em seguida me disse: "Agora é você." Minha vontade era responder "não, muito obrigada", mas como poderia eu fazer feio diante de minha convidada? Para minha surpresa, ainda que de maneira desajeitada, subi pelo "cipó circense". E não é que deu certo.
Bem, não me pareceu tão difícil assim. Animada, logo pedi para irmos à próxima tarefa. Era uma espécie de bambolê preso por um cabo de aço no teto. E me contorci, joguei as pernas para o alto e a cabeça para baixo. "Me tirem daqui", gritei. Senti tontura e náuseas. Definitivamente, não fui feita para brilhar sob as luzes de um picadeiro. A Gianne, como sempre, executou os movimentos com a leveza de uma verdadeira artista.
Seguimos pela cama elástica. "É incrível, você vai adorar", falou para me tranqüilizar. E ela estava coberta de razão. Foi como retornar à infância e brincar de pular sem parar. O fôlego, no entanto, me lembrou que tenho 26 e não mais dez anos. A etapa seguinte consistia em fazer malabares. Foi a parte mais decepcionante de toda a história. Embora pareça simples jogar bolinhas de uma mão para outra, aquilo requer grande concentração e coordenação motora. Reprovada. Essa foi a avaliação do meu medíocre desempenho.
Já a acrobacia foi apenas um aquecimento pelo que estava por vir. Gianne e eu fizemos de Wander uma escada humana que nos serviu de base para subirmos sobre seus ombros.
"Preparada para o trapézio?", me perguntou Wander. "Nem pensar", respondi num ímpeto. "Dá um frio na barriga, você tem de experimentar", incentivou Gianne. E permaneci paralisada pelo pânico de altura. Já ela se lançou a um "precipício" de 10m (equivalente a um prédio de quatro andares) e balançou pelo ar. Não adiantou os instrutores, nem a Gianne tentarem me convencer a me arriscar naquilo que para mim significava um salto mortal. É não passei no teste final. No entanto, a frustração de não ter me aventurado no trapézio só me deixou aquela sensação de "ainda vou fazer isso uma vez na vida".
Circo é atividade física com lazer
Há alguns anos, quando falava-se em circo logo vinha em mente aqueles shows que tanto divertiram a infância das pessoas do interior. Contudo, as atividades circenses foram ganhando adeptos e espaço também nas grandes cidades.
Hoje, há escolas instaladas nos centros urbanos, como é o caso da Academia Brasileira de Circo que fica na capital paulista. Rosana Jardim, diretora da escola-circo, afirma que a procura pelas aulas cresce a cada ano. "Começamos em 2004 com 30 alunos, agora contamos com 250 matriculados", informou.
Ela assegura que a prática dos exercícios pode ser feita logo cedo. "As crianças estão liberadas para as aulas a partir dos seis anos", disse. E a idade está longe de ser empecilho para alcançar um bom desempenho. Prova disso, é a arquiteta Mirian Butenas, 50 anos, que freqüenta a academia há dois anos e meio. "Fiz uma aula experimental com meu filho Théo e acabei adorando", contou. Agora, a mãe e o filho de 13 anos dedicam-se à atividade todas as semanas. "O circo é uma atividade física muito divertida", falou Mirian que faz trapézio de vôo.
Já para a bancária Carolina Gongora, 28 anos, o circo faz parte de sua vida desde garotinha. Sua mãe foi contorcionista em Penápolis, no interior de São Paulo, até os 18 anos e largou a profissão para estudar pedagogia na capital do Estado. "Por causa disso, minha mãe sempre me levou a espetáculos de circo", afirmou. Por não ter afinidade com nenhum esporte, a bancária viu no circo uma oportunidade de manter a boa forma e resolveu dar início às aulas há seis anos. Foi paixão à primeira vista.
Carolina gostou tanto que chegou a levar o noivo Maurício para o picadeiro, literalmente. Em 2006, o casal chegou até a se apresentar profissionalmente no show da Academia Brasileira de Circo. "Eu era trapezista e ele, palhaço", contou. Depois do casamento, que ocorreu em novembro do mesmo ano, os dois seguiram para a lua-de-mel em Cuba. E eles arrumaram um tempinho na agenda de recém-casados para conhecerem o Circo Estatal do México. "Nós dois acabamos nos apresentando lá também", falou.
O desafio da dupla, agora, é encontrar um circo a cada cidade que visitam nas férias. "Em 2007 fomos a Nova York e também conhecemos os profissionais do circo Ringling Bros."
Esses alunos são bons exemplos de que é possível se exercitar com prazer. "As crianças procuram o circo como um esporte alternativo, já os adultos querem manter a forma e aliviar o estresse", disse Rosana.
As aulas contrinuem, e muito, para melhorar o condicionamento físico. "É um exercício que trabalha a força, a concentração e o equilíbrio", afirmou Wander Rabelo. "A pessoa adquire disciplina corporal e o melhor é que qualquer um pode praticar, basta ter força de vontade", comentou o instrutor.
Nesta sexta-feira comemora-se o Dia do Circo no Brasil. A data é uma homenagem ao palhaço Piolin, paulista natural de Ribeirão Preto, que decidiu alegrar a vida de outras pessoas com seus gracejos. E o dia do seu aniversário - 27 de março de 1897 - foi transformado na celebração das artes circenses. Cento e doze anos depois, decidi conhecer um pouquinho mais sobre as atividades que acontecem dentro do picadeiro.
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na aula de circo
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Camargo na aula de circo
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Resolvi convidar alguém que já fosse familiarizada com as atividades que exigem um esforço e tanto do corpo. Logo me veio à cabeça a modelo Gianne Albertoni que fez bonito e saiu vencedora do quadro Circo do Faustão em 2007. Depois de uma semana de negociação com ela, eis que consegui trazê-la do Rio para São Paulo. E Gianne é daquelas que aceita qualquer desafio.
Por volta das 16h desta terça-feira, ela me encontrou na Academia Brasileira de Circo, na capital paulista. "Não tive tempo de almoçar e acabei comprando um lanche. Alguém está servido?", disse enquanto devorava uma tortinha de maçã. E foi em clima de cumplicidade que ela se reencontrou com Wander Rabelo, seu instrutor no programa da Rede Globo. "Nossa quanto tempo! Não nos vemos desde o Circo do Faustão", comentou empolgada.
Ainda vestida com um jeans escuro e jaqueta preta de couro, a dupla relembrou do árduo tempo de treinamento. "Eu treinava de segunda a segunda das 10h às 21h. Essa rotina durou quatro meses", falou. "Na minha primeira aula, o Wander me fez ficar uma hora dando cambalhotas", relembrou. "O circo é uma atividade que exige demais do físico por isso precisa de muito treino", explicou Wander.
Embora estivéssemos batendo um papo pra lá de descontraído, não conseguia esquecer a tensão de ter de me submeter a uma aula dessas. Tenho medo de altura e sabia que muitos dos exercícios são realizados a alguns metros acima do solo. Nervosismo à parte, lá fui eu e Gianne para dentro da tenda do circo. Eu seguia rigorosamente todas as instruções do Wander e de Jeniffer Baeta, que foi a instrutora do ator Caio Castro na competição do Faustão.
Meu primeiro desafio foi vencer a diferença de nada menos que 30cm para conversar com ela. Gianne do alto de seu 1,80m tinha de se curvar para me ouvir. Durante o alongamento ela ainda brincou. "Olha o tamanho do pezinho dela", meio sem jeito sorri e comentei que calço 34. "Nossa, o meu é 43", falou para descontrair.
Com os músculos alongados, partimos para nosso circuito que se iniciou com o tecido. Olhei para ele de ponta a ponta. O pano roxo se arrastava no chão e ficava preso a uma altura de aproximadamente 3m. A modelo lá foi escalar. Em alguns poucos e rápidos movimentos estava ela numa pose digna de qualquer editorial de moda. Em seguida me disse: "Agora é você." Minha vontade era responder "não, muito obrigada", mas como poderia eu fazer feio diante de minha convidada? Para minha surpresa, ainda que de maneira desajeitada, subi pelo "cipó circense". E não é que deu certo.
Bem, não me pareceu tão difícil assim. Animada, logo pedi para irmos à próxima tarefa. Era uma espécie de bambolê preso por um cabo de aço no teto. E me contorci, joguei as pernas para o alto e a cabeça para baixo. "Me tirem daqui", gritei. Senti tontura e náuseas. Definitivamente, não fui feita para brilhar sob as luzes de um picadeiro. A Gianne, como sempre, executou os movimentos com a leveza de uma verdadeira artista.
Seguimos pela cama elástica. "É incrível, você vai adorar", falou para me tranqüilizar. E ela estava coberta de razão. Foi como retornar à infância e brincar de pular sem parar. O fôlego, no entanto, me lembrou que tenho 26 e não mais dez anos. A etapa seguinte consistia em fazer malabares. Foi a parte mais decepcionante de toda a história. Embora pareça simples jogar bolinhas de uma mão para outra, aquilo requer grande concentração e coordenação motora. Reprovada. Essa foi a avaliação do meu medíocre desempenho.
Já a acrobacia foi apenas um aquecimento pelo que estava por vir. Gianne e eu fizemos de Wander uma escada humana que nos serviu de base para subirmos sobre seus ombros.
"Preparada para o trapézio?", me perguntou Wander. "Nem pensar", respondi num ímpeto. "Dá um frio na barriga, você tem de experimentar", incentivou Gianne. E permaneci paralisada pelo pânico de altura. Já ela se lançou a um "precipício" de 10m (equivalente a um prédio de quatro andares) e balançou pelo ar. Não adiantou os instrutores, nem a Gianne tentarem me convencer a me arriscar naquilo que para mim significava um salto mortal. É não passei no teste final. No entanto, a frustração de não ter me aventurado no trapézio só me deixou aquela sensação de "ainda vou fazer isso uma vez na vida".
Circo é atividade física com lazer
Há alguns anos, quando falava-se em circo logo vinha em mente aqueles shows que tanto divertiram a infância das pessoas do interior. Contudo, as atividades circenses foram ganhando adeptos e espaço também nas grandes cidades.
Hoje, há escolas instaladas nos centros urbanos, como é o caso da Academia Brasileira de Circo que fica na capital paulista. Rosana Jardim, diretora da escola-circo, afirma que a procura pelas aulas cresce a cada ano. "Começamos em 2004 com 30 alunos, agora contamos com 250 matriculados", informou.
Ela assegura que a prática dos exercícios pode ser feita logo cedo. "As crianças estão liberadas para as aulas a partir dos seis anos", disse. E a idade está longe de ser empecilho para alcançar um bom desempenho. Prova disso, é a arquiteta Mirian Butenas, 50 anos, que freqüenta a academia há dois anos e meio. "Fiz uma aula experimental com meu filho Théo e acabei adorando", contou. Agora, a mãe e o filho de 13 anos dedicam-se à atividade todas as semanas. "O circo é uma atividade física muito divertida", falou Mirian que faz trapézio de vôo.
Já para a bancária Carolina Gongora, 28 anos, o circo faz parte de sua vida desde garotinha. Sua mãe foi contorcionista em Penápolis, no interior de São Paulo, até os 18 anos e largou a profissão para estudar pedagogia na capital do Estado. "Por causa disso, minha mãe sempre me levou a espetáculos de circo", afirmou. Por não ter afinidade com nenhum esporte, a bancária viu no circo uma oportunidade de manter a boa forma e resolveu dar início às aulas há seis anos. Foi paixão à primeira vista.
Carolina gostou tanto que chegou a levar o noivo Maurício para o picadeiro, literalmente. Em 2006, o casal chegou até a se apresentar profissionalmente no show da Academia Brasileira de Circo. "Eu era trapezista e ele, palhaço", contou. Depois do casamento, que ocorreu em novembro do mesmo ano, os dois seguiram para a lua-de-mel em Cuba. E eles arrumaram um tempinho na agenda de recém-casados para conhecerem o Circo Estatal do México. "Nós dois acabamos nos apresentando lá também", falou.
O desafio da dupla, agora, é encontrar um circo a cada cidade que visitam nas férias. "Em 2007 fomos a Nova York e também conhecemos os profissionais do circo Ringling Bros."
Esses alunos são bons exemplos de que é possível se exercitar com prazer. "As crianças procuram o circo como um esporte alternativo, já os adultos querem manter a forma e aliviar o estresse", disse Rosana.
As aulas contrinuem, e muito, para melhorar o condicionamento físico. "É um exercício que trabalha a força, a concentração e o equilíbrio", afirmou Wander Rabelo. "A pessoa adquire disciplina corporal e o melhor é que qualquer um pode praticar, basta ter força de vontade", comentou o instrutor.
- Redação Terra




