"Durante muitos anos Javier e eu fomos grandes amigos. Íamos para todos os lados juntos: compras, baladas, bares. Nessa época, as coisas estavam difíceis na minha casa e ele me dava todo o apoio. Trabalhávamos na mesma empresa, compartilhávamos o almoço e a volta para casa. Pouco a pouco comecei a entender que me encantava com a maneira em que convivíamos no dia-a-dia, e me apaixonei.
As coisas começaram a ficar diferentes a partir do momento que me reconheci como apaixonada. Creio que ele se deu conta, porque não me disse nada e ficou mais calado que de costume. Disse a ele o que sentia. No meio das minhas declarações, ele me calou com suas mãos e me disse com uns olhos tristes: "Pôxa gata, eu gosto de homens. Como você não percebeu isso antes?". Chorando, ele me contou que era difícil falar sobre isso e que seus poucos romances ocorreram na máxima clandestinidade.
No começo, eu senti muita raiva e vergonha. Tentei me lembrar de momentos que, se eu tivesse sido mais esperta, poderia ter percebido sua orientação sexual. Busquei por frases, detalhes, mas não encontrei nada.
Ele não me procurou, mas eu fui em sua busca, pensando que ele poderia estar enganado, crendo que o nosso carinho era muito maior que o que ele sentia por outros. Nesse ponto é que as coisas se complicaram, porque eu o induzia a reconhecer algo, mas eu o confundi, pois na realidade ele nunca havia mentido para mim.
Minha auto-estima estava no chão e em várias situações tentei beijá-lo, quando ele me abraçava. Demorei muito para entender que ele jamais me desejaria como mulher. E, com muita dor em minha alma, deixei de vê-lo. Esta foi a única forma que encontrei para esquecer de tudo."
Alejandra, 25 anos
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As coisas começaram a ficar diferentes a partir do momento que me reconheci como apaixonada. Creio que ele se deu conta, porque não me disse nada e ficou mais calado que de costume. Disse a ele o que sentia. No meio das minhas declarações, ele me calou com suas mãos e me disse com uns olhos tristes: "Pôxa gata, eu gosto de homens. Como você não percebeu isso antes?". Chorando, ele me contou que era difícil falar sobre isso e que seus poucos romances ocorreram na máxima clandestinidade.
No começo, eu senti muita raiva e vergonha. Tentei me lembrar de momentos que, se eu tivesse sido mais esperta, poderia ter percebido sua orientação sexual. Busquei por frases, detalhes, mas não encontrei nada.
Ele não me procurou, mas eu fui em sua busca, pensando que ele poderia estar enganado, crendo que o nosso carinho era muito maior que o que ele sentia por outros. Nesse ponto é que as coisas se complicaram, porque eu o induzia a reconhecer algo, mas eu o confundi, pois na realidade ele nunca havia mentido para mim.
Minha auto-estima estava no chão e em várias situações tentei beijá-lo, quando ele me abraçava. Demorei muito para entender que ele jamais me desejaria como mulher. E, com muita dor em minha alma, deixei de vê-lo. Esta foi a única forma que encontrei para esquecer de tudo."
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