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Escritora é Carrie de 'Sex and the City' latina
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A escritora Claudia Aldana mostra às leitoras que ser solteira tem um toque de glamour
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Consuelo Aldunate é uma mulher solteira de 31 anos. Tem um emprego que lhe permite viajar e desfrutar de bons restaurantes, mora sozinha, tem amigos com os quais divide suas angústias e alegrias, está antenada na moda. É uma típica solteira, independente e culta, mas que ainda não está completamente feliz. Entre uma situação cômica e outra, ela faz de tudo para arrumar um namorado.

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Assim é a protagonista das aventuras escritas pela jornalista chilena Claudia Aldana, em sua coluna na revista Ya. E suas histórias de fracassos e sucessos amorosos fizeram tanto sucesso lá no Chile que foram reunidas em um livro: 31 Profissão Solteira, recém-lançado no Brasil pela Primavera Editorial. Consuelo, em suas andanças, já veio até o Brasil à procura do Mr. Right (o tal "cara certo", em tradução literal) e ficou tão querida entre as mulheres que deixou a sua criadora, a Claudia, conhecida como a Carrie Bradshaw latina (em referência à personagem principal de Sex and the City que também é jornalista e escreve sobre e para solteiras). Em entrevista ao Terra, Claudia Aldana fala sobre o glamour da solteirice, conta algumas de suas próprias experiências e, ao final, ainda dá cinco dicas de situações que são privilégio da vida de solteira.

Status fashion
É assim que a jornalista descreve a "solteirice", como um status fashion. Ou seja, como um estado glamouroso e até "na moda". "A solteira com mais de 30 anos é vista, hoje, como uma mulher que tem o mundo em suas mãos; um mundo cheio de opções", comenta Claudia. É, segundo ela, um período de adolescência estendida, porque a mulher pode se dar presentes, sair com amigos, viajar, enfim, fazer tudo o que lhe agrade - e o melhor é que tem tempo e dinheiro para fazer tudo isso, já que não tem filhos para sustentar.

E Consuelo, a personagem, vive até amores de verão, um sonho de quase toda adolescente. Em Tulum, no México, por exemplo, ela deixa de lado qualquer pudor e vive uma experiência intensa com um neozelandês hippie.

Já o estigma de solteirona e solitária se desfaz completamente com a presença dos amigos, que substituem o namorado e até mesmo a família, em alguns casos. "Escolhemos essas pessoas (os amigos) para nos acompanhar na vida e, por isso mesmo, damos a elas o nosso tempo", explica a escritora. "São pessoas que têm os mesmos interesses, medos e sonhos."

Claudia confessa que, mesmo acompanhada, escreve sobre mulheres solteiras, porque se identifica com elas. "No coração, sempre senti que sigo sozinha", diz. Mesmo agora, que está namorando, ela intercala sentimentos: se ela, Claudia, está bem com Raul, seu namorado, Consuelo está mal com seus affairs. "Assim não fico louca", brinca.

Vida real
Há um pouco de ficcção no livro. Consuelo viajou para Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, por exemplo. Já Claudia, a autora, esteve no Brasil em 2005, só que apenas em São Paulo.

Mas, como toda boa escritora, muito do que Claudia escreve sobre as histórias de Consuelo Aldunate tem origem em fatos reais. "Os rolos das mulheres da minha geração são o que tenho na cabeça", explica Claudia. "Sempre tenho o cuidado de disfarçar bem as histórias para não causar danos colaterais a inocentes. Caso contrário, fico sem amigas e sem material para escrever", brinca.

E, afinal, quem disse que a vida real de uma solteira não pode ser tão emocionante quanto as histórias de amor e sexo contadas nos livros? Claudia já cometeu loucuras, como morar com um homem com quem saía há menos de uma semana. "Gosto de ser kamikaze", justifica ela, que confessa ter o amor como vício.

A aposta no desconhecido deu certo por três anos, embora a designação de "solteira" nunca tenha mudado: eles não chegaram a se casar, mas, para a sociedade, a escritora se referia a ele como "marido". Por isso, após a separação exigiu o status de "divorciada".

Foi um período difícil, como uma separação de casamento mesmo, mas o que mais a traumatizou foi perceber que sua vida estava se tornando a vida de Consuelo. "No dia em que me mudei para o novo apartamento, com minha cachorrinha Coca, estava sentada no chão, tomando uma vodka vanilla, quando me dei conta que naquela semana completaria 31 anos. 'A maldição de Aldunate!', gritei apavorada", recorda. "Às vezes, tenho medo que de tanto escrever sobre solteiras, termine solteira para sempre."

Países diferentes, mesmos problemas
Sobre as diferenças entre as questões amorosas das mulheres latinas e americanas, por exemplo, a Carrie Bradshaw chilena não tem dúvidas: "o amor é algo universal". Seja de chinelos Havaianas ou de salto Prada, o sofrimento é o mesmo, segundo ela. E a isso ela atribui o sucesso de suas colunas. "O coração bate igual em todos os lugares e nisso está o êxito de todos esses temas."

Talvez a diferença esteja na forma como as mulheres reagem a esses sentimentos. As argentinas, explica a jornalista, posam de independentes e parecem nem querer um homem ao seu lado. As chilenas, por outro lado, são "terrivelmente complicadas no amor". Já as brasileiras, para ela, são mais lúdicas. Conseguem enfrentar melhor o tema - e até brincar com a situação.

Apesar das diferenças, Claudia espera que todas as mulheres se identifiquem com a simpática Consuelo, que vive a procura de um amor perfeito. "É como uma amiga próxima - boa pessoa e com vontade de encontrar alguém. Quantas mulheres assim vocês conhecem?"

Como aproveitar o seu tempo de solteira
Enquanto o Mr. Right não aparece, Consuelo Aldunate, personagem de 31 Profissão Solteira, ensina a tirar o melhor proveito da vida de solteira. Ela dá cinco dicas de diversão que são privilégio do estilo de vida das solteiras e que devem fazer muita mulher casada ter saudades dessa época:

1. Presentear-se com um dia inteiro em um SPA. Fazer as mãos, os pés, massagens de relaxamento, somente por prazer. Não para que "ele" veja que você está linda, mas como um presente pessoal. E, se quiser, vá com uma amiga. Acho muito melhor!

2. Comer na cama. Quando você mora com alguém ou tem namorado, vive a situação de conquista. Ou seja, há certas coisas que deixamos de fazer por serem pouco sedutoras. Um programa imperdível é passar um sábado com o controle remoto, no quarto, vendo filmes românticos - aqueles água-com-açúcar - e pedindo comida delivery.

3. Passar três horas ao telefone com uma velha amiga. Comentar até o que comeu na última semana, sem sentir o olhar de censura de seu companheiro. Aquele olhar que diz: "você deveria estar conversando comigo". Colocar a fofoca em dia com as amigas é um luxo que nunca é demais se permitir.

4. Viver um romance passageiro em suas férias. Quem sabe, sair do país para viver uma dessas histórias tórridas e apaixonantes das séries de TV. E isso sem pensar nas conseqüências ou no que irá acontecer quando as férias terminarem. Esse tipo de romance libera tensões, melhora a pele e faz um bem danado para o ego. Se tiver sorte, ainda aprende um outro idioma!

5. Fazer compras. Quando estive em São Paulo, senti um prazer indescritível em uma loja chic de calçados. Bolsas, sapatos e outros acessórios se transformam em objetos cultuados e que nos enchem de orgulho. Há algo mais gratificante do que ter uma bolsa que ninguém mais tem e que sempre provoca suspiros?

Redação Terra