Força extra
Aos 15 anos, a estudante Gisele Nakamura engravidou de seu namorado, um ano mais velho. Ela diz que a família recebeu a notícia de uma forma tranqüila. No entanto, alguns meses após o nascimento de Julia, o pai de Gisele faleceu. "Minha filha foi uma força a mais, que me ajudou a enfrentar tudo", conta. Aliás, para Gisele, que atualmente é assistente-administrativa de um restaurante paulistano, é muito gratificante ser mãe, independentemente da idade. "É uma alegria imensa." Hoje, com 9 anos, sua filha Julia é uma superamiga: "Ela me conta tudo", diz orgulhosa. E a relação com o pai também é pacífica. "Ele é muito presente na vida dela. Nos separamos quando a Julia tinha quatro anos, no começo foi difícil, mas agora nos damos bem", comenta.
Estudos de lado
"Eu cuido dele sozinha: dou banho, mamadeira, levo ao pediatra, coloco pra dormir". É assim que Suzie Higino Navarro, de 17 anos, descreve sua rotina com o pequeno Gabriel, de apenas três meses. O pai do bebê também ajuda, principalmente aos domingos, quando ela tira o "dia de folga" dos cuidados maternos. Mas o empenho maior de Thiago, 19, é mesmo fora de casa. Assim como Suzie, ele parou de estudar e está se dedicando ao trabalho. "Meu namorado é vendedor e ganha bem. E como moramos na casa dos meus sogros, os nossos únicos gastos vão para coisas pessoais e para o bebê", explica. No entanto, a forcinha dos avós não se restringe à moradia: os pais dela também ajudam nas despesas. Quanto aos estudos, por enquanto, Suzie e Thiago pretendem apenas completar o ensino médio. "Achei uma escola que dá para acabar o 3º ano em um mês", conta Suzie sobre os planos.
Mãe em dose dupla
Aos 16 anos, veio o primeiro filho: Daniel. Três anos mais tarde, Aline Barbosa, hoje com 21 anos, ficou grávida pela segunda vez e deu à luz Gabriela. A secretária continua morando com a mãe - que também não teve ajuda do parceiro para criar as duas filhas - e não tem contato com os pais de suas crianças. "Até cheguei a morar junto durante minha segunda gravidez, mas não deu certo, porque não consegui ficar longe do meu primeiro filho, que continuou morando com minha mãe", explica. "Muitas pessoas me cobraram, dizendo que eu deveria ter aprendido com o erro. Mas não vejo assim. A gravidez aconteceu e agora tenho que cuidar deles", diz. Quando perguntada sobre métodos anticoncepcionais, Aline explica que parou de tomar pílula, mas que irá voltar assim que encontrar um novo namorado. "Não quero ter mais acidentes", afirma.