Comportamento

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Mulheres atraídas por gays ganham apelido

Mulheres que se apaixonam por gays são mais comuns do que se imagina
Foto: TV Globo / Divulgação

Por Kamille Viola



Quem disse que mulheres não podem sentir atração por gays? Tanto podem como sentem e já ganharam até apelido condizente: são conhecidas como Marias Purpurinas. E elas estão em evidência, em pleno horário nobre, graças à novela

A Favorita

, na qual Céu (Deborah Secco) e Sharon (Giovanna Ewbank), uma das meninas da casa de Cilene (Elisângela), chegam a brigar por Orlandinho (Iran Malfitano), o gay em questão.



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Mas o que eles têm que atrai as mulheres? "Ah, eles entendem mais as mulheres, conhecem as coisas da alma feminina", acredita Giovanna Ewbank. "São mais parecidos com a gente e a mulher acaba se encantando com isso. Nos heteros, às vezes falta sensibilidade", emenda. A atriz conta que uma amiga já se envolveu com um homem sabendo que ele era homossexual. "Não deu certo. Ela se apaixonou, entrou de cabeça, mas ele foi mais para ver qual era", lembra ela, que, no entanto, acredita que uma união do tipo seja possível. "A gente se apaixona pelo ser humano. Você vê o Orlandinho e a Céu: eles se divertem muito".



O maquiador Edy Clemente, 38 anos, volta e meia é alvo de cantadas e já ganhou até jóia de presente. "Ouço coisas como 'se você não fosse gay, eu casava' e 'a pessoa que está com você deve ser muito feliz'", diverte-se.



O jornalista Gustavo Cunha, 31, sempre ouve que ele é "um desperdício". "Eu respondo: 'Desperdício para quem? Porque eu estou aproveitando muito...'", brinca ele, que tem amigos gays que, de vez em quando, "ficam" com mulheres. "Elas gostam de testar o poder de sedução", arrisca.



Mas nem sempre a abordagem é, digamos assim, suave. "Nunca levei uma 'dura' tão grande como a que levei de uma mulher. Tinha 30 anos e ela me assediou dentro do carro", conta o maquiador Flávio Barrozo, 50. "Falei que não ia conseguir, que tinha que ir embora. Fiquei muito assustado. A partir de então, outros assédios femininos aconteceram, mas já soube lidar com mais tranqüilidade, porque dessa quase não escapei", ri.



A tradutora Juliana Azevedo, 27, há seis meses "fica" com um amigo gay. "Até o Réveillon a gente passou junto. Ele fica bastante empolgado. Mas já falou: 'você sabe que não vai passar disso, né?'", conta. "Se você se sente atraída e tem ciência de que não vai construir um relacionamento, por que não? Ele é muito bonito, inteligente, sensível, educado, gosta das mesmas coisas que eu... Um amigo com quem você pode falar tudo e que ainda te 'pega'", suspira Juliana.



A fotógrafa Camila Marchon, 24, já conheceu uma autêntica Maria Purpurina. "Ela namorava um amigo meu que é totalmente gay. Depois, terminou com ele porque se apaixonou por outro gay", conta ela.



Ouvir as mulheres é qualidade

A explicação para o fascínio das mulheres pelos gays é quase unânime: eles têm qualidades que faltam aos heterossexuais. "Elas costumam procurar a delicadeza e a gentileza. O gay sabe ouvir uma mulher e sempre quer vê-la linda, muito feminina, brilhando. Já o hetero quer coibir esse brilho. Então, se a a mulher vai para a cama com um gay, ela vai receber todo o carinho", diz o maquiador Flávio Barrozo. "Eles são sempre arrumados, vaidosos, sabem falar sobre roupas", concorda a fotógrafa Camila Marchon.



Há quem ache que um homossexual possa sentir atração por uma mulher, mas poucos acreditam na durabilidade desta relação. "Para a mulher, é a maior roubada", alerta o estilista Carlos Tufvesson, 40 anos. "Como fetiche, vale a pena. O problema é pensar no cara como uma possibilidade de vida em comum", diz. O jornalista Gustavo Cunha também questiona o dilema de Orlandinho, que se assumiu e agora não sabe se é homo ou heterossexual. "O cara vai deixar de ser gay só na fantasia da mulher", defende.

O Dia