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De rolo com o ex? Veja 14 sinais de que está nessa situação

Foto: Getty Images
 

Todo mundo já viveu ou conhece uma história parecida com essa: eles namoram por um tempo, o namoro não dá certo. A saudade fala mais alto e os encontros acabam se tornando frequentes. Não demora muito para a relação se configurar como o bom e velho “rolo”, uma relação “mais ou menos”, não assumida, meio sem nome próprio.

A publicitária Gabriela (*), 26 anos, que mora em São Paulo, não só se identifica com a cena, como conseguiu ficar mais tempo enrolada do que namorado com seu ex. Depois de dois anos, o relacionamento terminou por ciúme da parte dele. Os encontros voltaram a acontecer, e o vai-e-volta se arrastou por mais quatro anos.

Ela acredita que ambos sabiam que o namoro não iria para frente, mas se gostavam e tinha uma química muito forte. “Era mais sexo do que amor. Nunca chegamos a falar sobre voltar, não parecia ser uma opção. Só começamos a nos encontrar sempre porque parece que o sexo ficou melhor quando terminamos do que era quando namorávamos”, lembra.

Apesar de passar bons momentos com o ex, depois, ficava triste. “Sempre que ficávamos, me doía mais saber que ele ficou com outra menina. Depois que passava um tempo eu esquecia, mas era só sairmos que voltava tudo”, conta. Como na época era solteira, e também não tinha muito hábito de sair e ficar com qualquer um, acabava cedendo quando ele aparecia. Até que um dia a verdade se tornou clara".

Ela disse que queria sair com ele, mas ele disse que sairia com outra garota. “Cansei dessa situação e de me chatear com essas coisas. Logo depois conheci meu namorado atual. Hoje, a opinião de Gabriela é bem diferente. Sempre é melhor sofrer por alguém novo do que passar anos sofrendo por gente que está na sua vida há séculos e não fez nada pra mudar a situação”, reforça.

A psicóloga comportamental Ana Carolina Furquim Bertoni explica que, na maioria dos casos, este tipo de relação é baseada em uma junção de dois comportamentos; o de uma pessoa que fica no controle da situação e outra que se dispõe a ficar em segundo plano. Ambos se contentam com pouco, e, com isso, o namoro não chega a lugar algum. Ela explica que não necessariamente a pessoa dominante é a vilã da histórias, o que ocorre é que são duas personalidades que se complementam. No entanto, ambas têm prejuízos emocionais.

Quem se coloca em segundo plano geralmente abre mão de muitas outras coisas para estar disponível, ficando preso à possibilidade de encontrar a pessoa amada. Além disso, de acordo com Ana, a pessoa acaba perdendo a chance de se envolver com outras pessoas, e, como consequência, cultiva sentimentos como depressão, ansiedade, compulsão alimentar e carência.  

Já para o parceiro que está no comando da relação, o prejuízo maior é não conseguir se envolver em uma relação verdadeira. “É aquela pessoa que tem um milhão de possibilidades e quer sempre ter isso. Mas a longo prazo acaba afastando as pessoas e não consegue manter relações harmoniosas, pois sempre está no poder”, explica a profissional.

Para a psicoterapeuta Léa Michaan, o maior problema trazido por este  tipo de relacionamento é a perda de tempo. “Tempo é o que temos de mais precioso na vida. Quando temos uma relação afetiva com quem projetamos um futuro, temos um objetivo. Caso contrário, não estou disponível para ninguém, então a sensação é que estou perdendo tempo”, explica. A frustração é o subproduto deste cenário, e, segundo explica a especialista, acaba gerando raiva na pessoa que está apostando em algo que não vai para frente.

Padrão de comportamento
Para ambas as especialistas, é mais comum que as mulheres aceitem essa situação indefinida do que homens. Uma teoria que explica este comportamento é que elas tendem mais a esperar o príncipe encantado, então, quando acham alguém que se aproxima dessa imagem, acabam depositando todas as fichas na relação e deixando as outras áreas da vida de lado. “Isso é um erro, pois estão sempre procurando em uma única pessoa a solução para todos os seus problemas”, afirma Ana.

Mas de um modo geral, quem aceita ficar indo e voltando tem um nível de carência alto, baixa autoestima e muita dependência. “É aquela pessoa que pensa, ‘se eu não ficar com ele, não vou ficar com mais ninguém’, então, acaba se submetendo a essa situação”, aponta.

Outro padrão importante observado pela psicóloga é que, muitas vezes, pessoas que se encontram nessa situação indefinida com o ex tendem a estar com problemas em outros aspectos da vida também. “Para você se manter bem física e emocionalmente você tem que se cercar de coisas positivas, fazer exercícios, comer bem, ter boas relações no trabalho, com amigos e família. Quando todas essa áreas estão bem e vem uma pedra no meu sapato, você facilmente consegue tirar da frente,  porque tem parâmetros para julgar o que é ruim.  Quem se envolve em relações deste tipo geralmente tem critérios ruins”, explica.

Bola para frente!
Léa recomenda três tipos de conversa para colocar um ponto final nessa história, ou, ao contrário, reatar de vez. A primeira é com si própria, com relação ao parceiro, perguntando-se se ele realmente é ideal para se construir algo sério e duradouro. “Se a pessoa tem clareza do que não quer para ela, fica mais fácil cortar a relação”.

O segundo diálogo seria novamente com si própria, mas com relação a ela mesma. “É importante se perguntar se você é carente demais e o porquê prefere ficar mal acompanhada do que só”, indica. O terceiro passo seria uma conversa franca com o parceiro. Se após essas reflexões a pessoa reconhecer que quer mesmo levar o caso adiante, isso deve ficar claro para ambas as partes. “É importante não fazer joguinho, pois estamos falando do futuro afetivo de um ser humano. Se a relação for verdadeira de uma das partes, mas a outra não estiver no mesmo movimento, talvez ela não sirva mesmo para você. Neste caso, faça o luto e enterre o relacionamento. Depois que a pessoa chora, ela se liberta”, explica a especialista.

Batendo na mesma tecla
Como a carência e a insegurança são traços de personalidade, é comum que algumas pessoas se vejam num looping deste mesmo tipo de relacionamento. Para não cometer os mesmos erros, vale tentar melhorar alguns aspectos paralelos à vida amorosa.

A psicóloga Ana afirma que um relacionamento é como investir na bolsa – não dá para apostar todo o montante em ações de uma única empresa. “É preciso ser feliz com várias pessoas. É divertido sair com o namorado, mas também precisa manter a turma do trabalho, as amigas, ir para academia, fazer cursos”, indica a profissional.

Léa concorda que reforçar os laços de amizade e família é uma ótima forma de suprir a carência e reconquistar a autoconfiança. “É preciso transitar e buscar várias fontes que satisfazem essa carência, ampliar o hall de amizades, gostar do que faz, investir em hobbies e, principalmente, desenvolver o amor próprio”.  

Ana lembra também que é importante tirar o foco da pessoa quando ela está longe. Segundo ela, a distância contribui para que a pessoa só se lembre dos momentos bons, endeusando o ser amado. “Corra na esteira, vá para o cinema, ligue para uma amiga”, indica.

 (*) A personagem preferiu manter sua identidade em sigilo.

 

 

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