Comportamento

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22 de junho de 2012 • 11h04 • atualizado às 11h09

Dança, fetiches e sensualidade fazem a noite no Clube das Mulheres

Clube das Mulheres
Foto: Edson Lopes Jr./Terra
  • Direto de São Paulo
 

Ao som de música alta, cerca de 350 mulheres gritam enlouquecidas. Na luz baixa, um locutor de cabelos claros aparece sobre o palco. É Marcos Manzano. Sim, aquele dos anos 90, da novela Corpo e Alma (1993), da Globo, vestindo camisa laranja e calças brancas. E com um rebolado sensual. Anuncia que a noite será inesquecível e dita as regras: “pode beijar, passar a mão, mas nada de pegar lá”. Na noite de quinta-feira (21), o Clube das Mulheres – localizado na Vila Olímpia, em São Paulo - comemorou seu aniversário de 22 anos, e recebeu a imprensa, curiosas, frequentadoras assíduas, noivas, tímidas e atiradas.

Primeiramente, vem o gangster. Em uma dança coreografada com outros cinco homens, o show começa. As mulheres esticam os braços sobre o palco, pedem para ser chamadas, imploram por um beijo ou uma passada de mão. O dançarino atende aos pedidos de forma charmosa e sensual. Sai do palco. Algumas delas ficam insatisfeitas com a apresentação, já que não puderam tocá-lo. “Não consigo agradar a todas pessoalmente, mas tento”, diz um dos dançarinos.

Sem problemas. Sobe ao palco, Antônio Sergio de Paula, 45, que no Clube das Mulheres - a primeira casa noturna brasileira destinada exclusivamente ao entretenimento feminino, - é chamado apenas de Serginho. Engenheiro por profissão, o stripper conta que sua trajetória no clube começou há 20 anos, quando foi convidado por um amigo de academia. “O mais complicado é agradar todas elas em cima do palco, quem é chamada para dançar e quem fica de fora, só olhando”, afirma. Ele faz sua apresentação vestido de guarda rodoviário, e com uma lanterna nas mãos, busca as candidatas para uma dança.

Na plateia, moças de todas as idades, das mais jovens às mais velhas, querem ser chamadas Ao palco. “É a primeira vez que vim. Sei lá, acho que foi só curiosidade”, diz M. O., 29, secretária administrativa. “É só olhar e dançar, não faz mal. Só faz bem”, completa a amiga S.T, 27, com quem divide a mesa.

De principiantes àquelas frequentadoras assíduas é que o Clube das Mulheres se divide. “Venho aqui desde 2007. Vinha bastante, mas comecei a namorar e parei. Agora, estou solteira e estou de volta”, conta P. O. , 26, advogada. Para ela, ir ao clube é sinônimo de ver homens bonitos e a cada vez que sobe ao palco é uma “experiência sensacional”.

Já para a administradora T. A., 27, que veio com mais três amigas de Sorocaba, interior de São Paulo para conhecer o Clube, tudo é novidade. “Queria dar risada e ver gente bonita, mas não levaria nenhuma das fantasias pra cama. Gosto de coisa mais simples”, conta entre risos no intervalo do show. Ainda, sobe ao palco I. S., 59 anos, que veio ao clube para a despedida de solteira da nora. “Senti um calor, uma palpitação, quero ver até o fim”, diz logo após dançar com um dos personagens e descer trêmula do palco.

Então, surgem diversos fantasias na pista, do operário ao marinheiro. Entre eles, um dos mais pedidos: o caubói. José Luiz dos Santos, 42, exibe uma forma não muito malhada, cabelos médios e uma dança imponente. Ao som do sertanejo, chama as meninas para dançar agarradinho. Elas sobem empolgadas e descem do palco em êxtase, sorridentes como nunca. “Mexemos com a autoestima delas, fazemos elas rirem, dizemos pra elas trocarem o marido pela gente, mas é tudo brincadeira”, afirma o dançarino que está no clube há 18 anos.

Para ele, a maior dificuldade é atrair a atenção de todas elas. Para isso, ele estuda direitinho o que vai fazer, cada uma das pegadas. “E na hora, a gente sente se ela é das mais tímidas ou das mais atiradas – que dão o maior trabalho para serem controladas”. Arranhões e mordidas até acontecem, mas eles tratam logo de mostrar os limites.

Muitas das meninas, frequentadoras assíduas do local, mantém amizade com os dançarinos. “Mas nada além disso, é teatro”, garante Serginho. E para a bancária D. G., 35, é isso mesmo. Ela conta que é casada há 16 anos, e que há 13, vai ao clube. “A vez mais marcante foi quando vim pra cá grávida de sete meses da minha filha, fiz que não com a cabeça, mas o caubói me chamou e eu subi ao palco. Ao invés de dançar e agarrar, ele só levantou minha blusa e beijou minha barriga”.

Com a noite, surge o Fantasma da Ópera, para aquelas mais românticas, e até um príncipe encantando. Mas quem faz sucesso mesmo é Anderson Victor de Castro, 37, o stripper que interpreta o policial da Swat. Em uma performance que começa com o salvamento de uma das garotas da plateia de um sequestro, o policial arranca suspiros de todas. “Contratamos porque ele parece o Vin Diesel, isso mexe com elas”, conta Mazano, um dos primeiros strippers a se apresentar para mulheres em terras brasileiras. Manzano é um dos donos da casa noturna e conduz o show noite adentro.

Anderson conta que é casado há treze anos e que tem duas filhas. Entrou para o clube há duas décadas. Dançarino profissional – formado em ballet clássico e jazz, cantor e ator de teatro, hoje Anderson faz cerca de 15 shows por semana, de despedidas de solteiro à despedidas de casado. “A minha esposa aceita numa boa. Não vou dizer que pra ela é fácil, mas ela entende que tudo não passa de brincadeira, é profissional”. Segundo ele, muitas mulheres se apaixonam no Clube das Mulheres. Porém, esse interesse não surge por eles, mas sim, pelos personagens que eles interpretam. “Já foram atrás, conseguiram telefone, me ligavam e mandavam mensagem. Mas você tem que ser firme, ter jogo de cintura. É sua profissão”, diz.

Anderson costuma dizer que não é mais bonito nem mais forte que os outros homens, namorados, paqueras ou maridos. “Os strippers simplesmente sabem o que fazer. Tratamos as mulheres como elas merecem. Só o fato de dar a mão para elas subirem uma escada já mostra uma valorização sem tamanho. Colocamos as mulheres em primeiro plano e deixamos elas fantasiarem”, fala o ‘policial’, que também já vestiu a fantasia de médico.

“O sucesso do Clube está justamente em saber ser sensual, sem ser vulgar ou apelativo”, defende Focca, que abriu a casa em São Paulo, quando voltou de Nova York, onde os estabelecimentos criados para as mulheres já tinham história. A noite termina com Manzano vestindo-se com uma capa de Zorro, seu personagem há 22 anos. As mulheres ainda gritam, sobem ao palco e pedem para dançar. As luzes se apagam e elas saem felizes. “Sentindo-se valorizadas”, diz ele.

Serviço:
Clube das Mulheres
Local: R. Quatá, 1011
Preço; R$ 50 entrada (precisa dividir mesa em quatro; cada mesa custa R$60)
R$ 100 camarote

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